Blockchain e Self Driving Cars (carros autónomos). Vislumbrar o futuro.

Para os nossos filhos e netos, comprar ou ter um carro será, provavelmente, mais improvável. Eles simplesmente verão menos vantagens em ter um automóvel.

Será, no entanto, completamente natural para eles, comprar mobilidade como um serviço (MaaS – Mobility as a Service), onde um veículo autónomo os leva de A a B, sem terem que se preocupar com seguros, manutenção, gasolina, parking, portagens ou qualquer outra chatice relacionada com ter um carro hoje em dia.

Imaginemos, por um segundo, um futuro onde cada um de nós tem um veículo autónomo.

De manhã quando vamos trabalhar, o carro deixa-nos à porta do escritório. A partir desse momento, fica disponível para prestar serviços e fazer transações sem necessidade da nossa intervenção. Até ao final do dia, quando terá que nos levar novamente de volta para casa.

No futuro, os carros não serão apenas máquinas auto-dirigíveis. Eles serão, na realidade, agentes económicos autónomos, com uma e-wallet que poderão usar para pagar serviços e gerar dinheiro, em vez de nos custarem dinheiro, parados num parque de estacionamento o dia todo.

Ora, uma vez que os carros do futuro não serão movidos a gasolina, os governos começam a perceber que terão que substituir os impostos sobre os combustíveis – que em breve irão perder – por impostos que serão parte de um modelo Road as a Service (ou em português, Estradas como um Serviço).

Os carros irão assim pagar os custos de infraestrutura da construção de estradas com base no número de kilómetros percorridos. Cada estrada, irá efetivamente tornar-se uma estrada “com portagens”.

E dependendo to tipo de estrada, o custo por kilómetro para percorrer a estrada poderá variar. Custará mais viajar numa auto-estrada de três filas do que numa estrada secundária.

Mas também poderemos pagar mais por viajar em hora de ponta do que em “horas mortas”.

E poderemos até pagar, ou melhor, o carro poderá até pagar, valores mais altos com base na “pressa” com que deseja chegar a determinado destino.

Tal, pode significar que o carro negociará com os carros que estão à sua frente – e que eventualmente não estejam com tanta pressa – e que estão dispostos a sair do caminho para que o nosso carro passe, a troco de uma ligeira recompensa financeira.

Claro que os carros continuarão a precisar de seguro. No entanto o valor dos seguros cairá vertiginosamente uma vez que carros autónomos serão centenas de vezes mais seguros que carros dirigidos por seres humanos.

As pessoas que precisem de transporte, estarão dispostas a pagar pelo uso do nosso veículo. Pagarão um valor por kilómetro e, claro, pagarão através das suas e-wallets. Será um processo absolutamente linear – tal como entrar e sair de um uber hoje.

Os carros inteligentes (smart cars) registarão buracos e outras anomalias nas estradas usando sensores nos sistemas de suspensão e travagem. Venderão depois esses dados de volta à Infraestrutura das Estradas, para que esta possa priorizar as manutenções.

Os nossos veículos poderão até ser pagos, ou fazer pagamentos, ao contratualizarem com outros veículos que se dirigem na mesma direção, uma “viagem em pelotão” (“to platoon”), para poupanças de energia.

O conceito de “platoon” vem do ciclismo, onde as equipes geralmente pedalam em fila indiana, permitindo aos membros de trás poupar energia enquanto se deslocam à mesma velocidade dos restantes companheiros – graças ao túnel de vento que se cria nesta situação.

Assim, se o nosso veículo inteligente pode poupar 20% no consumo de energia ao negociar com o carro da frente a possibilidade de se sincronizarem e viajarem em platoon, o pagamento de um pequeno premium por esse privilégio será ainda assim compensador.

No futuro, teremos carros a negociar com outros carros sem intermediários.

Continuando.

Os carros do futuro “terão um feeling” quanto ao fato de estarem sujos, com base em dados das estradas e do tempo e poderão comprar uma lavagem durante a viagem.

Se precisarem de parar por um momento, poderão pagar parquímetro pelo espaço que ocupam ou comprar energia de uma praça de abastecimento do Serviço de Estradas.

Produtores de carros e Ministérios dos Transportes em todo o Mundo estão já a testar provas de conceito com sistemas de carregamento embutidos em linhas de tráfego dedicadas. Onde os carros entrarão e sairão destas linhas e comprarão a quantidade de energia que necessitam para continuar a sua viagem.

Mas não nos esqueçamos: como os carros do futuro poderão armazenar bastante energia durante a noite a preços mais económicos, também eles são uma “fábrica” de energia móvel. E podem assim re-vender a energia acumulada a um preço mais elevado a outros carros ou edifícios – fazendo uso da arbitragem dia/noite dos preços da energia.

Finalmente, em caso de avaria ou substituição de peças, os carros poderão pagar automaticamente por novas peças que serão imprimidas em 3D nas instalações de prestação de serviços da marca, mais perto da localização do veículo. Onde este se dirigirá autonomamente para ser intervencionado.

Tudo isto soa futurístico. Mas a verdade é que os protótipos estão já a ser desenvolvidos.

Mas onde entra a tecnologia blockchain no meio disto tudo?

O protocolo blockchain será onde todas estas interações e transferências de dados e valor será efetuada. Na verdade, a tecnologia blockchain é a única que existe hoje, que permite que este cenário aconteça.

E se acham que este artigo é esquizofrénico, em baixo podem ver o novo Volkswagen Vision, anunciado no salão automóvel de Genéva este mês de Março.

vw vision

Este concept-car não tem volante nem acelerador ou travão. E a produção dos primeiros veículos está planeada para 2022 – daqui a apenas 4 anos.

O carro tem 302 cavalos, uma autonomia de 500 a 600 kms e terá capacidade 100% autónoma. Também terá inteligência artificial e um interface do utilizador holográfico, tornando-um um centro de entretenimento móvel.

Viajar diariamente tornou-se, de repente, novamente atrativo.

Caminhamos a passos largos para lá da internet das coisas (Internet of Things). Caminhamos para a economia das coisas (Economy of Things) onde data e valor se fundem.

Tudo é impactado e tudo irá mudar. A maneira como pensamos em posse (ownership) vs utilidade (utility) irá mudar. A maneira como pensamos em tecnologia. Até o limite de onde nós acabamos e onde começa a tecnologia irá mudar.

Se isto soa demasiado assustador, uma das espantosas características dos protocolos blockchain está na forma como protege as nossas identidades e dados pessoais.

A nossa informação pessoal não mais pertencerá à Google, ao Facebook ou a qualquer outra empresa. Porque a privacidade não é, nem deve ser uma moeda ou meio de pagamento.

Neste novo modelo, nós detemos os nossos próprios dados. E seremos pagos, no lugar das empresas acima mencionadas, com base no que estamos ou não dispostos a partilhar.

Se, como tudo indica, esta nova economia M2M (machine to machine) for construída em cima de protocolos blockchain, nós estaremos sempre no controlo.

 

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