Outros conceitos Blockchain: Tokens vs Coins e Permissionless vs Permissioned

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O artigo de hoje toca ao de leve nalguns aspetos que acho importante esclarecer sobre a tecnologia blockchain e que, todos nós interessados, devíamos preocupar-nos em disseminar.

== CRIPTOMOEDAS ==

Antes de mais, o conceito de criptomoeda, ou em inglês criptocurrency.

Currency significa dinheiro. Infelizmente, o nome que adoptámos para esta nova invenção, é mau. Ou no mínimo, bastante enganador.

Criptocurrencies, ou criptomoedas, não são necessariamente dinheiro. Sim, bitcoin é dinheiro (digital) e o seu objetivo é ser uma alternativa ao dinheiro físico.

Mas a maior parte das vezes, as criptomoedas funcionam mais como ativos do que como dinheiro.

Clarificar esta situação é de extrema importância na atual fase de desenvolvimento da tecnologia, especialmente agora que a atenção de legisladores e reguladores foi despertada.

É fundamental que políticos e governadores entendam que existem vários use-cases dentro do ecossistema de criptomoedas e que estes não são necessariamente dinheiro apenas.

Caso contrário, corremos o risco de uma pesada regulação da industria, o que dificultará e diminuirá o ritmo de inovação.

== TOKEN ==

Provavelmente já ouviram alguém a referir-se a uma determinada criptomoeda como um token.

Um token, no sentido abstrato, é um objeto que representa qualquer coisa, como por exemplo, outro objeto. O objeto representado pode ser físico ou digital e pode ser trocado pelo próprio token.

No ecossistema blockchain, um token é um ativo criado pelos desenvolvedores dos protocolos e normalmente, representa algo no seu modelo de negócio.

O uso de tokens é apenas limitado pela nossa imaginação. E claro, pelas leis e regulação.

Nos protocolos blockchain, os tokens são programáveis, sendo assim mais versáteis. Essa versatilidade configura-lhes maior funcionalidade do que a mera representação de valor.

== TOKEN VS COIN ==

Mas afinal qual a diferença entre token e coin (moeda)?

Um token é, regra geral, desenvolvido “em cima” de um protocolo blockchain existente. Onde já existem uma coin e uma rede segura.

A maior parte dos ICO’s (Initial Coin Offerings – em português, “oferta inicial de moedas”)  que vemos hoje são construídos desta forma.

Uma coin existe quando um novo protocolo é criado de raiz. Sem nenhuma plataforma ou ecossistema como base.

A titulo de exemplo, Ether é a coin do protocolo Ethereum. Todos os ICO’s desenvolvidos em cima de Ethereum são tokens e não coins.

Quando alguém recorre a um ICO como forma de financiamento, deve optar por tokens caso as suas necessidades sejam apenas o registo de um histórico de transações. Evitando assim o desenvolvimento de um novo protocolo e todas as questões de segurança inerentes.

Contudo, existem casos em que uma nova coin é essencial. Quando, por exemplo, se quer desenvolver novos mecanismos de consenso e/ou desenvolver uma nova infraestrutura/plataforma para uma nova industria. IOTA e Stellar Lumens são dois bons exemplos.

Vamos agora abordar um outro tema.

== PERMISSIONLESS vs PERMISSIONED BLOCKCHAINS ==

Como provavelmente já sabem, existem dois tipos de protocolos blockchain.

Protocolos Permissionless (sem permissão) são protocolos onde qualquer pessoa ou entidade se pode juntar à rede. Bitcoin e Ethereum, por exemplo, são dois protocolos deste género.

Se por um lado estes protocolos são totalmente inclusivos e impossíveis de derrubar ou eliminar, por outro, apresentam ainda problemas de escalabilidade.

Além disso, sendo públicos, levantam também questões de privacidade.

Em industrias com dados e informação sensíveis, um protocolo aberto ao publico pode não ser a melhor solução.

Assim, surgiram os protocolos Permissioned (ou com permissão), onde a rede é fechada a um determinado número de participantes.

Hyperledger Fabric (desenvolvido pela IBM), Quorum (desenvolvido pela JP Morgan) ou Stratis são exemplos de Permissioned blockchains.

O objetivo destes protocolos é proporcionar o desenvolvimento de soluções blockchain em ambiente fechado. Muitas das soluções empresariais que vemos hoje são desenvolvidas em cima destes protocolos.

Nesta situação, são normalmente escolhidos intervenientes de confiança que levam a cabo toda a validação de transações e que são responsáveis pela adição de blocos (informação) na blockchain.

Não são necessários algoritmos de consenso como PoW ou PoS.

(Mais sobre algoritmos de consenso blockchain aqui.)

Uma vez que existe um (ou mais) interveniente(s) que são da confiança dos restantes participantes da rede, não é necessário que todos validem as transações, como acontece em protocolos Permissionless.

Este aspeto torna, hoje em dia, os protocolos Permissioned muito mais rápidos e escaláveis que os seus homólogos (Permissionless).

Naturalmente a sua aplicabilidade é mais reduzida. Como referi, são geralmente destinados a soluções empresariais ou a consórcios de entidades.

Passemos finalmente ao último tópico do artigo de hoje.

== BLOCKCHAIN COMO INVESTIMENTO ==

Pensemos na internet como um conjunto de protocolos – ou se quisermos, linguagens computacionais usadas para comunicar – e websites como Google, Facebook e outros.

Onde é feito todo o dinheiro? Nas aplicações.

Os criadores da Google, Facebook e Youtube são seguramente mais ricos que os criadores dos protocolos (http, smtp, etc…).

Na era da internet 2.0 todo o dinheiro é feito na camada das aplicações. No entano, esta situação altera-se com o surgimento da tecnologia blockchain.

(Mais sobre internet 2.0 e 3.0 aqui.)

Quando compramos Bitcoin, Ether ou outra criptomoeda, estamos a investir na infraestrutura e a maior parte da riqueza é feita ao nível do protocolo.

Para perceber, imaginemos que nos anos 80 comprávamos “shares” da internet e essas “shares” seriam mais tarde necessárias para quem quisesse enviar emails ou interagir com a internet.

É isto que estamos essencialmente a fazer quando compramos, por exemplo, Ether.

Qualquer pessoa que queira interagir com Smart Contracts no protocolo Ethereum precisará de Ether. E assim, o ativo que detemos tem procura no mercado. É isso que lhe concede, essencialmente, o seu valor.

 

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