Blockchain 1.0: Bitcoin vs Blockchain 2.0: Ethereum

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O título pode parecer estranho.

Ainda há poucos dias/semanas/meses estávamos a ouvir falar pela primeira vez em blockchain e já existe uma versão 2.0.

A verdade é que, apesar de apenas no último ano a palavra blockchain andar nas bocas do mundo, a origem do protocolo blockchain remonta a Outubro de 2008.

Há quase dez anos,  Satoshi Nakamoto (nome fictício) publicava um paper entitulado “Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System“, que viria a ser considerado o nascimento do protocolo blockchain.

Segundo a revista The Economist, a tecnologia por trás da Bitcoin permitia que “pessoas que não se conheciam ou não confiavam uma na outra, transaccionassem de forma confiável.” E isto, segundo a revista, teria implicações “muito além das criptomoedas”.

A previsão verificou-se.

Bitcoin é de fato o mais conhecido use-case da tecnologia blockchain e foi ela quem deu a conhecer a tecnologia ao Mundo.

Mas hoje, falar em protocolos blockchain é muito mais do que falar em moedas digitais, tal como veremos a seguir.

Como evoluiu então o protocolo blockchain e quais as diferenças entre blockchain 1.0 e 2.0?

Blockchain 1.0 é a primeira geração dos protocolos blockchain.

De forma simplificada, podemos dizer que esta geração de blockchains utiliza essencialmente uma corrente de blocos criptograficamente ligados para guardar informação sobre transações de dinheiro (moedas) entre pessoas.

Cada bloco está criptograficamente ligado ao bloco anterior e ao próximo bloco. Para compreendermos melhor esta ideia, teremos que estudar o conceito de hash function que abordarei num próximo post.

O objetivo deste artigo é apenas explorar como se diferenciam a primeira e a segunda geração de protocolos blockchain.

Vimos então que blockchain 1.0 está diretamente associado à Bitcoin e a transações de dinheiro entre pessoas.

Da mesma forma, Blockchain 2.0 será sempre associado ao protocolo Ethereum.

Ethereum foi o primeiro protocolo blockchain que, tendo uma visão e objetivos diferentes dos protocolos da primeira geração (Bitcoin), se destacou e ganhou relevância de forma muito significativa.

Não será arriscado dizer que um terço das pessoas que já ouviu falar em Bitcoin, também já ouviu falar em Ethereum.

Como são diferentes os protocolos blockchain 2.0 e como ganharam notoriedade?

Vamos continuar com o caso do Ethereum para facilitar.

Vitalik Buterin, programador russo-canadiano e fundador do Ethereum, aprendeu pela primeira vez sobre bitcoin com o seu pai, aos 17 anos de idade.

Vitalik rapidamente percebeu que a invenção do protocolo blockchain teria muito mais aplicações além do sistema financeiro e das transações monetárias.

Em 2013 começou a desenvolver o protocolo Ethereum. A sua visão era criar um protocolo blockchain onde programadores e desenvolvedores pudessem executar e implementar código.

Em outras palavras, a ideia era que qualquer programador conseguisse desenvolver soluções ou softwares que, em vez de executados em computadores ou servidores, fossem implementados no protocolo blockchain.

Ao ser implementada num protocolo blockchain, a solução desenvolvida passaria também a deter as características intrínsecas de qualquer protocolo blockchain. Ser totalmente descentralizada seria, naturalmente, o principal benefício.

(Para entender melhor a característica descentralizada dos protocolos blockchain, leiam o meu ultimo artigo sobre o tema).

Podemos por isso dizer que Ethereum e os protocolos blockchain 2.0 são essencialmente plataformas para aplicações descentralizadas (DApps).

Vitalik Buterin vislumbrou e desenvolveu o ambiente (protocolo) propicio para programadores e empreendedores desenvolverem os produtos, softwares e aplicações amanhã.

E assim o protocolo Ethereum ganhou a dimensão e notoriedade que tem hoje. Em torno da visão de Buterin, juntaram-se milhares de pessoas que acreditam poder re-escrever (literalmente) o futuro com código.

A comunidade Ethereum é hoje a segunda maior comunidade no ecossistema blockchain, apenas atrás da Bitcoin que, por ser a primeira, é ainda a maior.

Igualmente, começaram a surgir outros protocolos que partilham a mesma visão de Vitalik e que começam também a ganhar notoriedade.

Cardano, NEO ou EOS são hoje alguns dos mais conhecidos e que desenvolveram soluções em muito semelhantes ao Ethereum.

E assim, cinco anos depois do nascimento da Bitcoin, nasceram os protocolos blockchain 2.0.

Desenvolvidos por aqueles que perceberam que a aplicabilidade da tecnologia ía muito além das transações monetárias. E que poderia, muito provavelmente, vir a mudar o Mundo como o conhecemos.

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