Afinal porque é o protocolo blockchain descentralizado e porque devo interessar-me?

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No meu último post falei da verdadeira inovação do protocolo blockchain: descentralização.

Muitas pessoas podem ter a sensação errada de que o protocolo blockchain não mais é do que uma rede de computadores sem um servidor central.

“Não é isso um sistema distribuído?”. Computação distribuída (distributed computing) não é nada de novo. De fato, temos computação distribuída há muitos anos.

Computação distribuída é hoje usada para, por exemplo, aumentos de performance. Ao separar um problema computacional em várias partes conseguimos ter diferentes computadores a resolver cada parte do puzzle.

Vamos então tentar desmistificar a diferença entre sistema distribuídosistema descentralizado.

E assim perceber que o protocolo blockchain é de fato uma evolução de tudo o que tinha sido inventado até hoje.

Ambos os sistemas são redes de computadores espalhados pelo Mundo. Facto.

Bitcoin por exemplo, é um sistema descentralizado com milhares de computadores ligados em rede.

A Amazon por outro lado, é um sistema distribuído mas que também tem milhares de servidores ligados em rede, espalhados pelo Mundo.

A principal diferença entre os dois sistemas é a questão da autoridade.

No sistema descentralizado Bitcoin, como expliquei no meu post anterior, ninguém pode chegar e, simplesmente, alterar ou apagar dados e transações do histórico.

Porque é que uma autoridade haveria de querer alterar ou apagar dados e transações históricas de um sistema?

Consigo pensar em um milhão de motivos, mas peguemos num exemplo concreto.

O diploma universitário do ex-primeiro ministro de Portugal, José Socrates. É ou não legítimo?

O sistema informático da Universidade Independente, onde José Socrates estudou, é um sistema distribuído. A autoridade que controla esse sistema tem o poder de alterar ou apagar os seus registos históricos.

Se a Universidade Independente utilizasse um sistema descentralizado (blockchain) para registar as notas dos alunos e emitir os seus certificados, não existiria qualquer dúvida relativamente à legitimidade do diploma do ex-primeiro ministro português.

Um diploma emitido por um protocolo blockchain, ao contrário de um emitido por um qualquer sistema distribuído, é incorruptível. Facto.

É importante entender que, no Mundo (centralizado) em que vivemos hoje, tudo é à base de confiança.

De tão acostumados, não damos conta do quanto acreditamos e dependemos das organizações que gerem os sistemas de computadores distribuídos que sustentam a nossa sociedade.

O protocolo blockchain irá seguramente revolucionar as áreas onde este tema é mais gritante e quanto mais rápido compreendermos e desmistificarmos o seu potencial, mais depressa vamos evoluir.

 

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(Para os mais entusiastas, existe uma iniciativa muito interessante entre o MIT Media Lab e a empresa Learning Machine onde foi desenvolvido um protocolo blockchain para ser utilizado em Instituições de Ensino: BlockCerts).

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